Home Data de criação : 09/07/26 Última atualização : 10/03/07 11:58 / 42 Artigos publicados
 

Jutsu [術], Dō [道], Hō [法]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 18:22

 

As Artes Marciais Japonesas sempre estiveram ligadas diretamente à guerra, à luta de homem contra homem. Com o passar do tempo, as verdades dos campos de batalha foram transformadas em conceitos que foram transmitidos de geração em geração.

Estes conceitos são fundamentais para as Artes Marciais Japonesas e são muito interessantes em nível de prática e ensino de determinadas escolas.

Os conceitos, de fato, carregam a “tradição” das Artes Marciais Japonesas, indicando o caminho a seguir e a forma como deve ser seguido.

Contudo, é muito comum em nossos dias vermos distorções, esquecimento e negligência...

Neste “post” abordarei três conceitos básicos: Jutsu [術], Dō [道] e Hō [法], pois ainda hoje muitas pessoas não entendem as diferenças existentes entre eles e muitas vezes cometem erros em suas interpretações.

Com o objetivo de dar uma visão clara a respeito dos mesmos, farei uma breve explanação, posicionando-os dentro da história das Artes Marciais Japonesas... que em meu ponto de vista é a melhor forma de entender a evolução e a aplicação correta de cada um deles.

Os conceitos Jutsu [術], Dō [道] e Hō [法] podem ser facilmente entendidos como se fossem os degraus em uma escada.

Jutsu [術] (“Arte / Técnica”) é o primeiro degrau. Como a própria tradução do termo indica, Jutsu [術] é a técnica necessária para atingir um determinado fim, ou seja, é grupo de técnicas que cria uma “Arte”. É apenas o “Le Savoir-Faire”, o “Know How”, o “Saber como fazer”... que está presente nas mais diversas Artes Marciais Japonesas.

Inúmeros instrutores hoje em dia dizem que praticam “alguma-arte”-jutsu [術]. Porém, neste ponto da evolução das Artes Marciais Japonesas, pelo estudo da história Japonesa, todos sabem que o Governo Meiji [明治] redirecionou todos as Bujutsu [武術] (Artes Marciais) tradicionais para, segundo Goulart (2008), “…desenvolver um senso de orgulho pessoal e espírito nacional” modificando-as para Budō [武道] (Vias Marciais), ou seja, todas as “alguma-arte”-jutsu [術] foram substituídas por “alguma-arte”-dō [道].

Neste ponto da história, a Sociedade Japonesa necessitava de indivíduos forjados na Arte da Guerra que além de saber combater fossem capazes de servirem às obrigações sociais e governamentais. Assim, Jū-jutsu [柔術] tornou-se Jūdō [柔道]; Ken-jutsu [剣術] tornou-se Kendō [剣道]; Aiki-jutsu [合気術] tornou-se Aikidō [合気道], e assim sucessivamente.

Não devemos esquecer que a Sengoku-Jidai [戦国時代] (“A era de Guerras”) e o Samurai [侍] já não existem mais nesta época. É o começo da Meiji-ishin [明治維新] (“Restauração Meiji”) sob a regência do imperador…

Então, compreendendo o contexto histórico japonês no qual surge o Dō [道], permita-me algumas questões simples:

Os Samurai [侍] existem atualmente? Sem dúvida, a sua resposta naturalmente será: “Não! Os Samurai [侍] já não existem.”

E por que eles não existem? “Porque nós sabemos que historicamente a sua classe foi abolida pelo governo Meiji [明治]…”

Sendo assim, pergunto… “alguma-arte”-jutsu [術] existe atualmente?

Eu diria que praticar “alguma-arte”-jutsu [術] atualmente é algo um tanto “fora do contexto” histórico do desenvolvimento das Artes Marciais Japonesas. Porém, cada um é livre para fazer suas escolhas e praticar aquilo que quiser...

O segundo degrau da nossa escada evolutiva das Artes Marciais Japonesas é o Dō [道] (“A Via, O Caminho”) que surgiu no período Meiji [明治]… Aqui pode surgir a seguinte dúvida: “Mas o que esta “Via”, ou “Caminho” significa?” Corroboro com Goulart (2008) quando afirma que o Dō [道]:

“Denota “Modo de vida”, aqueles “orgulho pessoal e espírito nacional” mencionados anteriormente. De uma forma bem simples, o Dō [道]  quer dizer que agora, as Artes Marciais Japonesas preparam as pessoas para todos os aspectos da vida social e não apenas para a guerra” (GOULART, 2008).

Por fim, temos o último degrau da nossa escada: Hō [法] (“Lei / Princípios / Doutrina”). Hō [法] se refere aos aspectos religiosos das Artes Marciais Japonesas... aspectos estes que vão além do normal “modo de vida”. Todas as artes que dão ênfase à religião usam o sufixo Hō [法] nas suas designações, tais como: o Kenpō [拳法] e o Ninpō [忍法].

Não é difícil perceber que a evolução das Artes Marciais Japonesas segue uma cronologia e, portanto, tem uma ordem determinada e cumpre com objetivos específicos para cada fase de seu desenvolvimento ao longo dos anos.

Em forma de conclusão, fazendo uma análise incompleta e superficial é possível afirmar que:

O conceito Hō [法] abarca os conceitos Dō [道] e Jutsu [術], pois os aspectos religiosos dentro das Artes Marciais Japonesas não negligenciam a conduta moral nem a técnica do estilo praticado.

O conceito Dō [道] engloba o conceito Jutsu [術], visto que o objetivo da “Via” é formar através da técnica Marcial um Ser Humano de caráter, honesto, esforçado, polido e capaz de controlar sua própria agressividade, para que assim possa ser um cidadão útil no meio social em que está inserido.

Contudo, aqui surge uma questão importante, sobre a qual se deve refletir: o conceito Jutsu [術], ou seja, a arte por ela mesma (a simples execução de movimentos técnicos), cumpre com qual objetivo na sociedade atual?

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Jutsu, Dō & Hō. Disponível em: <http://groups.msn.com/ShinseiKaiShito-RyuKarate-Do/>. Acesso em: 10 de Março de 2008.

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Bujutsu [武術], Bugei [武芸], Budō [武道]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 17:59

 

Antes de entrar especificamente no contexto das Artes Marciais Japonesas (Budō [武道]) irei abordar o significado da expressão Arte Marcial e farei alguns comentários que me parecem pertinentes.

Consultando o dicionário escolar da Língua Portuguesa Michaelis (2002), encontramos os seguintes significados para as palavras “Arte” e “Marcial”:

  • Arte: Saber ou perícia em fazer alguma coisa; Habilidade; Profissão, ofício.
  • Marcial: Que diz respeito à Guerra, bélico, belicoso; Que se refere a militares ou a guerreiros.

Sendo assim, podemos dizer que todas as artes dedicadas a Guerra podem ser denominadas “Artes Marciais”, sejam estas armadas ou desarmadas.

Porém, esta é uma definição moderna, usada em um mundo onde as palavras perderam o seu valor... para descobrir o que significa, de fato, a expressão Marcial é preciso recorrer a etimologia.

O termo Marcial foi importado do romano onde, na mitologia, está associado à Marte o “Deus da Guerra” que é irmão de Minerva a “Deusa da Sabedoria”. Portanto, a prática Marcial e a Sabedoria pertencem a mesma família e deveriam ser indivisíveis. Tradicionalmente, todas as Artes Marciais implicam uma trilha de caráter filosófico, ou seja, treina-se em busca da sabedoria (ou pelo menos deveria ser assim).

Deixo aqui uma colocação interessante feita pelo Professor Michel Isasa, para que tirem suas próprias conclusões sobre a necessidade da Filosofia dentro das Artes Marciais:

“Sem a filosofia, o caminho das artes marciais não é caminho, não passa de uma atividade como qualquer outra.

O problema principal é que as artes marciais, sem filosofia, não são capazes de transformar o ser humano em algo melhor e, às vezes, dão armas ao homem comum para que continue carregando sua ignorância e pensando que é mais forte e poderoso que os demais.

Nisto está o perigo maior, já que antes de dar armas para alguém, primeiro há que lhe formar o caráter numa disciplina de vida ética e moral, para que essa pessoa queira ser boa, bela e justa.

Do contrário, as artes marciais criam uma distorção que pode levar ao mal, à violência e à destruição.

A Filosofia das Artes Marciais é o caminho prático na busca de fatores tais como a vivência da fraternidade, do ecletismo, do conhecimento, do desenvolvimento das virtudes morais, da busca do êxito e da conquista sobre si mesmo, a aplicação da estratégia para conquistar um projeto de vida e, finalmente, a conquista da Sabedoria” (ISASA, Michel).

Outro “detalhe”... nas Tradições Marciais Antigas era impossível conceber uma Arte Marcial sem filosofia.

Dito isso passarei ao contexto oriental das Artes Marciais...

No Japão antigo o termo utilizado para designar as Artes Marciais era Bujutsu [武術] ou ainda, Bugei [武芸]. Atualmente a expressão Budō [武道] é utilizada para este fim.

Tradução literal dos termos citados acima:

  • Bujutsu [武術] – Artes Marciais, Artes Militares;
  • Bugei [武芸] – Artes Marciais, Técnicas Marciais;
  • Budō [武道] – Via Marcial, Caminho Marcial.

Os ideogramas para Bujutsu [武術] são originários da China, onde são conhecidos (lidos) como Wǔ-shù [武術] (Nota: é esta Arte que os ocidentais desavisados chamam de Kung-fu [功夫], mas isso não é assunto para este “post”).

Analisando e traduzindo os ideogramas chineses que compõe a palavra Wǔ-shù [武術], temos:

  • Wǔ [武] - guerreiro, militar, marcial, cavalaria, armas;
  • Shù [術] - técnica, habilidade, média(s), arte(s).

Ou seja, “Arte(s) Marcial(ais)”.

Wǔ [武], por sua vez, é composto por outros dois ideogramas:

  • Gē [戈] - “lanças dos invasores”;
  • Zhǐ [止] - “parar”, “deter”.

Ideogramas que expressam a idéia de “deter as lanças do inimigo”.

Voltando ao contexto japonês, quando falo em Bujutsu [武術] ou Bugei [武芸], estou falando em termos que designam Artes Marciais Japonesas “Tradicionais”, e para falar sobre este assunto é necessário mencionar o conjunto formado por 18 Artes Marciais, conhecido pelos japoneses como Bugei Jūhappan [武芸十八般], e que no Japão também são referidas como “Artes Nacionais”:

Bugei Jūhappan [武芸十八般]:

  1. Jū-jutsu / Kenpō [柔術 拳法] "Artes de defesa desarmadas";
  2. Ken-jutsu / Gekken-jutsu [剣術] "Artes da Espada";
  3. Iai-jutsu / Batō-jutsu [居合術] "Arte de Sacar a Espada";
  4. Kusarifundō-jutsu [鎖分銅術] "Arte da Corrente com Peso";
  5. Kusarigama-jutsu [鎖鎌術] "Arte da Foice com Corrente";
  6. Bō-jutsu [棒術] "Arte do Bastão Longo";
  7. Sō-jutsu [創術] "Arte da Lança";
  8. Naginata-jutsu [長刀術] "Arte da Alabarda";
  9. Suiren [水蓮] "Natação";
  10. Ba-jutsu [馬術] "Arte de Equitação";
  11. Kisha-jutsu [騎弓術] "Arte do Arco e Flecha a Cavalo";
  12. Jō-jutsu [杖術] "Arte do bastão de 3/4";
  13. Kyū-jutsu [弓術] "Arte do Arco e Flechas";
  14. Yoroi-kumi-uchi [鎧組打] "Arte da Luta com Armaduras";
  15. Hojō-jutsu / Hobaku-jutsu [捕縄術] "Arte de Atar com Cordas";
  16. Jitte-jutsu [十手術] "Arte do Jitte (arma japonesa)";
  17. Hō-jutsu [砲術] "Arte da Artilharia";
  18. Nage-ken-jutsu / Shuriken-jutsu [投剣術手裏剣術] "Arte do Lançamento de lâminas".

Também é interessante mencionar que na Era Edo [江戸時代][1] (1603-1868), juntamente com as matérias acadêmicas era exigido que os guerreiros aprendessem 6 Artes Marciais, grupo conhecido como Bugei Roppan [武芸六般], 5 delas já mencionei quando listei o Bugei Jūhappan [武芸十八般], porém aqui surge uma nova modalidade: Teppō-jutsu [鉄砲術] (Artes de Armas de Fogo).

Bugei Roppan [武芸六般]:

  1. Ken-jutsu [剣術] – "Artes da Espada";
  2. Sō-jutsu [創術] – "Artes da lança";
  3. Kyū-jutsu [弓術] – "Artes do Arco e Flechas";
  4. Ba-jutsu [馬術] – "Arte da Equitação";
  5. Jū-jutsu [柔術] "Artes de Defesa Desarmadas"[2];
  6. Teppō-jutsu [鉄砲術] – "Artes de Armas de Fogo"[3].

Estas seis Artes Marciais juntamente com a Gunji-senryaku [军事戦略] (estratégia militar) eram denominadas "as Sete Artes Marciais" e eram ensinadas como Bushidō [武士道] (O Caminho do Guerreiro).

Em 1868, quando terminou a Era Edo [江戸時代] e começou a Era Meiji [明治時代] o Governo Meiji [明治] redirecionou todas as Bujutsu [武術] (Artes Marciais) tradicionais, modificando-as para Budō [武道] (Vias Marciais). Portanto, todas as Artes Marciais Japonesas, que até então eram conhecidas como Koryū Bujutsu [古流武術] (“Escolas Antigas de Artes Marciais”) passaram a ser chamadas Gendai Budō [現代武道] (“Vias Marciais Modernas”)...

Então, falar em Budō [武道] é falar de Artes Marciais Japonesas Modernas.

Portanto, tenha cuidado na interpretação e utilização destes termos, pois Bujutsu [武術] e Bugei [武芸] denotam treinamento técnico realizado nas antigas escolas japonesas de Artes Marciais destinado a “vencer outro(s) homem(ns) no campo de batalha”. Enquanto, Budō [武道] implica em “criar elementos úteis à sociedade com uma retidão marcial”... trabalho este que deveria ser realizado pelas escolas modernas que divulgam as Artes Marciais Japonesas. Além disso, usar os termos Bujutsu [武術] ou Bugei [武芸] para designar qualquer Arte Marcial praticada em nossos dias é algo completamente fora de contexto histórico.

Para que se entenda melhor a mudança de Bujutsu [武術] para Budō [武道], transcrevo uma explicação que me parece bastante esclarecedora feita por Goulart (2008):

“Criadas para matar outras pessoas, o objetivo principal das Bujutsu [武術] ("Artes Marciais") e das escolas Jutsu [術] em geral era vencer no campo de batalha, matar o inimigo ou causar o maior dano possível ao oponente. Inúmeros Jutsu [術] desenvolveram as suas técnicas, definiram os seus sistema, deixando os seus conhecimentos para a geração futura através de representantes ou de documentos escritos.

Assim, a história japonesa deu ao mundo uma nova classe guerreira: os Samurai [侍].

Os Samurai [侍] tinham o seu próprio código de conduta "não escrito", chamado Bushidō [武士道] (A Via do Guerreiro) e tudo que faziam era viver ou morrer pelos seus senhores - combatendo na medida das necessidades.

Digamos - num breve posicionamento: essa classe foi responsável por "quase" (eu disse quase) tudo que sabemos sobre Artes Marciais Japonesas praticadas hoje em dia.

Naturalmente, ninguém, nenhum país pode manter-se em guerra constantemente; as pessoas, as culturas e idéias evoluem. E isso aconteceu também ao Japão. As guerras civis, o Sengoku-Jidai [戦国時代] acabaram e não havia mais razão para manter um governo militar no Japão.

Restaurado o poder do Imperador japonês na era Meiji [明治], a classe Samurai [侍] foi desmantelada (Isto é muito importante no contexto das Artes Marciais Japonesas).

Budō [武道] literalmente significa "Vias Marciais", mas é também uma forma muito esperta de dizer: "Não estamos em guerra, mas preservamos a nossa identidade guerreira". Então, estas escolas Dō [道] substituíram as velhas escolas Jutsu [術], dando maior relevância ao ambiente social japonês. Os nomes antigos foram adaptados para representar a evolução das Artes Marciais Japonesas.

Assim: Jūdō [柔道] substituiu o velho Jūjutsu [柔術]; Kendō [剣道] substituiu o velho Kenjutsu [剣術]; Aikidō [合気道] substituiu o velho Aikijutsu [合気術]; Kyūdō [弓道] substituiu o velho Kyūjutsu [弓術]; Iaidō [居合道] substituiu o velho Iaijutsu [居合術]; Kobudō [古武道] substituiu o velho Kobujutsu [古武術]; E assim por diante....

O Karate [空手], não sendo uma Arte Marcial Japonesa, simplesmente adicionou o sufixo "Dō [道]" para seguir a mesma evolução, tornando-se Karatedō [空手道].

Agora fica muito fácil ver a alteração das velhas Jutsu [術] para os modernos Dō [道].

Infelizmente, algumas pessoas ainda têm muita dificuldade em ver e aceitar os fatos históricos, a evolução das Artes Marciais Japonesas...” (GOULART, 2008).

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Bu-jutsu. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php>. Acesso em: 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Koryū Bujutsu/Gendai Budō. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php>. Acesso em: 19 de Novembro de 2008.

INSTITUTO BODHIDHARMA DO BRASIL. A Filosofia das Artes Marciais. Disponível em: <http://www.bodhidharma.com.br/portugues/index.htm>. Acesso em: 15 de Maio de 2005.

ISASA, Echenique Michel. A Filosofia das Artes Marciais. Edições Nova Acrópole.

MICHAELIS: Dicionário Escolar Língua Portuguesa. Arte/Marcial. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2002.

RAMOS, Alexandre. Artes Marciais. Disponível em: <http://cao.pt>. Acesso em: 2 de Novembro de 2007.



[1] Edo Jidai [江戸時代] em japonês.

[2] Naquela época todas as artes de defesa desarmadas eram conhecidas por Jū-jutsu [柔術].

[3] As armas de fogo foram introduzidas no Japão pelos portugueses em 1543.

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Tōde [唐手], Karate [空手], Karatedō [空手道]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 17:49

 

Quando lemos publicações ocidentais (livros, revistas, “sites”, “Blogs”, etc...) sobre a história do Karatedō [空手道] é “normal” encontrar uma confusão generalizada no que diz respeito à utilização dos termos Tōde [唐手], Te [手], Okinawate [沖縄手], Karate [空手] e Karatedō [空手道].

Muitos falam de Te [手] ou Okinawate [沖縄手] sem mencionar o Tōde [唐手]... outros utilizam a palavra Karate [唐手] sem explicar que os Kanji [漢字] para escrever esta palavra, antigamente eram os mesmos utilizados na velha expressão Tōde [唐手]... outros ainda, nem mesmo mencionam que o Karatedō [空手道] já teve outros nomes... enfim, como já disse, uma grande confusão...

Tomemos, por exemplo, a utilização e evolução destes termos nos títulos dos livros escritos pelo mestre Gichin Funakoshi [義珍船越]:

  1. Ryūkyū Kenpō, Karate [琉球拳法唐手], Novembro/1922.
  2. Rentan Goshin, Karate-jutsu [錬胆護身唐手術], Março/1925.
  3. Karatedō Kyōhan [空手道教範], Maio/1935.

Só aqui encontramos três formas diferentes para falar da mesma arte: Karate [唐手] (ou Tōde [唐手]), Karate-jutsu [唐手術] (ou Tōde-jutsu [唐手術]) e Karatedō [空手道].

Tecnicamente, a utilização destes termos é bastante simples e cada um deles aponta para uma Arte específica:

Tōde [唐手] – É o termo utilizado para expressar a influência das Artes Marciais Chinesas (Quán-fǎ [拳法][1]) na Arte Nativa de Okinawa (Tī [手][2]). (Nota: em japonês a palavra Tōde [唐手] é lida "Karate" [唐手]).

Te [手] – É o termo utilizado no Japão para expressar Artes Marciais praticadas em Okinawa [沖縄], também referenciado como Okinawate [沖縄手] em alguns casos (Nota: muitos autores utilizam os termos Te [手] ou Okinawate [沖縄手] para referir-se ao Tī [手], ao Kenpō [拳法] e ao Tōde [唐手], sem especificar sobre o que estão falando... tratando-os como se fossem todos a mesma arte).

Karate [空手] – É o termo utilizado para expressar as Artes Marciais de Okinawa [沖縄] ensinadas no Japão e também para desvincular as Artes Marciais de Okinawa [沖縄] de suas raízes chinesas (Tōde [唐手]).

No livro de Kenwa Mabuni [賢和 摩文仁], Kōbō Kenpō, Karate Nyūmon [攻防拳法空手入門]... (página 44 - último parágrafo), tem uma explicação bastante simples e prática sobre o porquê da troca do termo Karate [唐手] para Karate [空手]:

“O ideograma Kara (唐) (de Karate [唐手]) original significava "China". Assim, referir-se ao “Karate” praticado no Japão pela designação "Nippon Budō Karate" [日本武道唐手] de fato significava "Mão(s) chinesa(s) Via Marcial do Japão" o que fazia com que se criasse uma contradição à Arte (algo do tipo: “a Arte é chinesa ou japonesa?”). A partir deste ponto, passou-se a utilizar o ideograma Kara (空) ("Vazia (s)") conhecido atualmente” (MABUNI, 1938, pg. 44).

Karate-dō [空手道] – É o termo adotado por Gichin Funakoshi [義珍 船越], e mais tarde por outros mestres, para fazer com que o Karate [空手] fosse reconhecido como um Budō [武道], e assim ficasse no mesmo nível das demais Artes Marciais Japonesas, tais como: Kendō [剣道], Jūdō [柔道], Aikidō [合気道], etc.

Por tudo que foi dito, e seguindo a evolução do “Caminho das Mãos Vazias”, todos os praticantes desta Arte Marcial deveriam utilizar o termo Karatedō [空手道] ao referenciá-la... correto? Certamente o leitor responderá: “Sim, isso é correto”. Contudo, eu indago: é o que vemos?

Apenas para dar um exemplo, não vemos praticantes de Jūdō [柔道][3] dizendo “eu pratico ‘Jū’ [柔]” ou praticantes de Kendō [剣道][4] afirmando “praticamos ‘Ken [剣]’”... ambos dizem em bom e alto tom praticamos Jūdō [柔道]... praticamos “Kendō [剣道]”... apenas em Karatedō [空手道] vemos este fenômeno de abreviação do nome da Arte para Karate [空手]... Por isso, deixo uma reflexão: alguma vez alguém já se perguntou o porquê disso?

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Tōde [唐手], Te [手] e Karate [空手]. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em: 20 de Novembro 2006.



[1] A palavra Quán-fǎ [拳法] é lida Kenpō [拳法] em japonês e quer dizer "lei(s), regra(s), doutrina(s) dos punhos".

[2] Tī é a pronúncia em Uchināguchi [沖縄口] do Kanji “手” que é lido Te [手] em japonês e significa “mão(s)”.

[3] Jūdō [柔道] “Caminho ou Via Suave”.

[4] Kendō [剣道] “Caminho ou Via da Espada”.

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Sensei [先生]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 15:44

 

Quando entramos em qualquer Dōjō [道場] nos deparamos com um “personagem” que irá nos guiar dentro do aprendizado do Karatedō [空手道].

Geralmente, se conhece a tradição da arte que leciona, o professor se apresenta pelo nome próprio... Contudo, logo algum aluno mais experiente nos advertirá: “deve direcionar-se ao professor usando a palavra Sensei [先生]”.

Sendo assim, no Karatedō [空手道] o termo Sensei [先生] é utilizado para referir-se ao professor ou mestre, porém nenhuma destas é a tradução literal desta palavra.

A expressão Sensei [先生] de forma muito genérica, significa “professor”... na realidade a palavra é escrita com dois ideogramas (Kanji [漢字]):

  • Sen (saki) [先] - “Antes de”, “primeiro que”, “anterior”;
  • Sei (umareru) [生] - “Nascer”, “viver”.

Como podemos ver a tradução literal deste termo é “aquele que nasceu antes” ou, mais especificamente, quando falamos em Karatedō [空手道], “aquele que começou antes”.

Goulart (2006), acertadamente, afirma:

“O problema do uso deste termo nas artes marciais é que não podemos precisar - com exatidão - “quem realmente começou antes de outro” no conjunto de todas as Artes Marciais ensinadas. Assim, quando alguém coloca a expressão Sensei [先生] antes do seu nome próprio, está a dizer que começou antes de mim, antes de ti antes de qualquer outro… sem que isso seja necessariamente a realidade. Parece, com o perdão da expressão, uma falta de humildade incompatível com as Artes Marciais orientais. Por outro lado, dentro de um ambiente controlado como um Dōjō [道場] em particular podemos, com certeza, definir “quem começou antes” quer por graduação quer por conhecimento pessoal e assim, determinar quem é o Sensei [先生]” (GOULART, 2006).

No Japão o termo Sensei [先生] não é exclusivo das Artes Marciais é também utilizado para designar doutores, professores, advogados etc...

Assim sendo, o termo Sensei [先生], de fato, é digno de respeito, porém não apresenta aquela “mística” ou “transcendência” impostas por pessoas que não sabem realmente a que este termo se refere.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Sensei. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

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Shin Gi Tai [心技体]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 15:34

  

Assim como já mencionei quando abordei o conceito Bunbu-ichi [文武一], também era muito comum nos Dōjō [道場] antigos de Artes Marciais Japonesas encontrarmos um quadro pendurado na parede onde se podiam ler três caracteres: Shin [心], Gi [技] e Tai [体].

Estes três caracteres representavam as antigas diretivas mestras, ou seja, as características mais importantes que todos os praticantes marciais (Budōka [武道家]) deveriam esforçar-se em aperfeiçoar:

  • Shin [心] (Kokoro) - Espírito, alma.
  • Gi [技] (Waza) - Técnica(s).
  • Tai [体] (Karada) - Condicionamento físico, manutenção física.

A proporção de atenção dada a cada campo era:

  • Shin [心] => 60%;
  • Gi [技] => 30%;
  • Tai [体] => 10%.

Naturalmente, dependendo do mestre ou do Dōjō [道場] a proporção entre estas características poderia variar, mas o espírito era sempre o ponto mais importante a ser desenvolvido, seguido pelo o aspecto técnico e físico, respectivamente.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Shin [心], Gi [技] e Tai [体]. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em: 20 de Novembro 2006.

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