Home Data de criação : 09/07/26 Última atualização : 10/03/07 11:58 / 42 Artigos publicados
 

Reishiki [礼式]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 21:35

   

Um ponto que deve ser mencionado (na realidade um dos mais importantes) quando falamos em Karatedō [空手道] é a Cerimônia de Saudação que é chamada normalmente pelos japoneses de três formas distintas, dependendo da Arte e do estilo praticado:

  • Reishiki [礼式] etiqueta, boas maneiras, cerimônia, saudação;
  • Reigi [礼儀] – educação, cortesia, etiqueta;
  • Reigisahō [礼儀作法] – cortesia, etiqueta.

Dentro do Karatedō [空手道] existem duas formas distintas para se executar esta saudação, comumente ambas são utilizadas durante a Cerimônia de Saudação (Reishiki [礼式]), são elas:

  • Ritsu-rei [立礼]: Saudação em pé;
  • Za-rei [座礼]: Saudação sentado(a).

Como fazer a reverência em pé (Ritsu-rei [立礼]):

  • (A) A inclinação deve ser feita em um ângulo de aproximadamente 30°;
  • (B) Os dedos dos pés ficam separados em um ângulo de aproximadamente 60º e ambos os calcanhares ficam unidos.
  • (C) Deve-se utilizar todo o corpo para executar a inclinação, não apenas a cabeça. O Olhar aponta para frente e a boca permanece fechada
  • (D) As mãos deslizam para baixo a partir da lateral do corpo até a parte superior dos joelhos;
  • (E) A distância entre as mãos e os joelhos é de aproximadamente um punho fechado.

Como saudar enquanto em Seiza [正座] (Za-rei [座礼]):

  • (A) Não levante os glúteos ao curvar-se, os cotovelos não devem ser projetados para o lado (para fora) e os artelhos maiores (dedos dos pés) devem ficar um sobre o outro;
  • (B) Toda a parte superior do corpo move-se, não somente a cabeça. Olhar para frente e manter a boca fechada;
  • (C) A distância entre a cabeça e as mãos que estão no Tatami é de aproximadamente três punhos fechados;
  • (D) As mãos apontam para frente, levemente afastadas.

Nota: Literalmente, diz-se que as mãos são colocadas sobre o Tatami formando a figura do número oito (Hachi [八]) em japonês.

Como fazer o Seiza [正座]:

  • (A) Em pé, na posição Musubi-dachi;
  • (B) Recuar primeiro a perna esquerda, apoiar o joelho esquerdo no chão na linha do pé direito;
  • (C) Descer o joelho direito, colocando-o ao lado do joelho esquerdo;
  • (D) Sentar-se sobre os calcanhares;
  • (E) A distância entre os joelhos é de dois punhos fechados aproximadamente.

Nota 1: Durante todo o processo deve-se manter a verticalidade da coluna.

Nota 2: Sobre as figuras B e C. Estas posições são feitas em "pé vivo", isto significa que os pés permanecem na vertical, sobre a bola do pé parte anterior inferior dos artelhos (dedos dos pés).

Nota 3: Para levantar, reverta o processo, neste caso (D-C-B-A), levantando a perna direita primeiro.

De uma forma geral e abrangente, os diversos estilos de Karatedō [空手道] utilizam o cerimonial da forma apresentada abaixo, com poucas variações:

  • Shūgō [集合] – Alinhar!;
  • Kamae [構え] – Posição! (no sentido de assumir uma postura);
  • Ki o tsuke [気を付け] – Atenção!;
  • Seiza [正座] – Sentar-se corretamente;
  • Mokusō [黙想] – Meditar!;
  • Mokusō Yame [黙想止め] – Parar a meditação!;
  • Shōmen ni... rei [正面に…礼] – Saudação para frente, para o lado principal;
  • Sensei ni... rei [先生に…礼] – Saudação ao(s) instrutor(es);
  • Senpai ni... rei [先輩に…礼] – Saudação aos mais antigos, aos mais velhos (praticantes no Dōjō [道場]);
  • Otagai ni... rei [お互いに…礼] – Saudação mútua, uns com os outros;
  • Kiritsu [起立] – Levantar-se!, literalmente Posicione[m]-se de pé;
  • Naore [直れ] – Arrumar(-se) [com sentido de estar na posição correta];
  • Yōi [用意] – Prepara-se, estar preparado;
  • Rei [礼] – Saudar;
  • Kamae [構え] – Posição! (no sentido de assumir uma postura).

Contudo, é necessário destacar que atualmente, há uma grande variedade de estilos e organizações que trabalham no ensino e divulgação do Karate-dō [空手道] e, assim, também há uma grande variação na forma de executar o cerimonial (alguns acrescem alguns elementos outros retiram), pois infelizmente não há uma padronização (nem mesmo dentro de escolas que lecionam o mesmo estilo).

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Seiza no shikata - Como fazer o Seiza. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Nota importante sobre Seiza. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Como saudar enquanto que em Seiza (Zarei). Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Como fazer a vênia. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Reishiki: Cerimônia de Saudação. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

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Dō [道], Ryū [流], Ha [派]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 21:24

  

Dando seqüência aos conceitos, abordarei neste “post” a divisão do Dō [道][1].

Como de costume, irei apresentar uma breve explicação a fim de dar uma visão clara das diferenças básicas sobre estas divisões.

A mesma idéia de escada que utilizei no “post” que falava sobre os conceitos Jutsu [術][2], Dō [道] e Hō [法][3], pode ser aplicada aqui.

Analisando nossa escada de cima para baixo, temos o nosso primeiro degrau: o Dō [道].

Para que me faça entender melhor farei uma analogia do Dō [道] com um rio. Sendo assim, as “correntes” deste mesmo “rio” são chamadas Ryū [流][4], nosso segundo degrau da escada.

Explico de uma forma mais simples... pessoas diferentes têm diferentes visões sobre o mesmo assunto. Quando se tem algum objetivo, se pode chegar até ele de diversas formas, ou seja, a forma particular de cada pessoa “enxergar” o “Caminho” para atingir determinada meta são os Ryū [流].

Para deixar ainda mais claro, vamos utilizar como exemplo deste “rio” o Karatedō [空手道][5]. Assim, as ramificações do Karatedō [空手道] seriam as diferentes "correntes" deste mesmo "rio" (deste Dō [道]). Assim, como ramificações (como Ryū [流]) do Karatedō [空手道] nós temos: Gōjū-ryū [剛柔流][6], Shitō-ryū [糸東流][7], Wadō-ryū [和道流][8], Shōrin-ryū [小林流][9] etc...

Uma observação importante, esta regra não é linear... o Shōtōkan [松濤館][10], por exemplo, tornou-se o nome de uma "corrente", do "estilo" em si mesmo.

Mesmo assim, é muito freqüente ver por aí... escrito a expressão “Shōtōkan-ryū” quando se referindo ao estilo. Pensemos... uma vez que o conceito Kan [館][11] engloba o significado de Ryū [流], isso parece ser apenas uma utilização redundante do termo Ryū [流] para forçar a idéia de "estilo" ou para diferenciar da escola original.

Pelo que foi dito, não fica difícil entender que o conceito Dō [道] origina o conceito Ryū [流], desta forma continuando a descida em nossa escada chegamos ao terceiro degrau: Ha [派].

Para compreender o que é Ha [派] é necessário ter em mente que dentro dos Ryū [流] diferentes instrutores criam interpretações pessoais da Arte que praticam. Então, para estas visões particulares da arte, dá-se o nome de Ha [派][12]. Sendo assim, o conceito Ryū [流] origina o conceito Ha [派].

Dentro dos diversos Dō [道], Ryū [流] ou Ha [派] existem diversas escolas e associações que trabalham em sua divulgação/expansão/administração. Estas escolas e associações eram chamadas antigamente pelos japoneses de Kan [館]... Em nossos dias o termo apropriado/utilizado é Kai [会].

Kan [館] (antigo "Kwan") se refere as escolas originais mais antigas como o Shōtōkan [松濤館], por exemplo. Contudo, por volta de 1940 este termo foi modificado para Kai [会][13] (antigo "Kwai"). Os propósitos de Kan [館] e Kai [会] eram/são administrar as diretivas de um sistema(escola)/estilo/Ryū [流], delegar representantes, determinar procedimentos, gerar "standards"[14], reconhecer graduações e Menjō [免状][15].

Kai [会] está diretamente conectada aos Ryū [流].

Embora seja muito comum vermos hoje em dia esta ou aquela escola “Kan [館]” por aí, depois de analisar o que dito podemos chegar a duas conclusões: ou a pessoa que utiliza este termo desconhece o fato que desde 1940 ele não é mais utilizado no Japão (pois foi subtituído por Kai [会]) ou quer dar a idéia de “escola” (pois esta é a tradução mais popular para Kan [館]) ao seu Dōjō [道場]... porém, em ambos os casos está errada. Sendo assim, em meu caso particular, apenas para dar um exemplo, se quisesse montar uma escola ou associação própria o correto seria “Andretta-kai” e não “Andretta-Kan”...

Kan [館], na realidade, segue o mesmo “fora de contexto” do qual já falei quando abordei as expressões Bujutsu [武術] e Jutsu [術].

Algumas notas importantes:

Nem sempre Dō [道] é dividido, não vemos Ryū [流] ou Ha [派] dentro do Jūdō [柔道], por exemplo.

O termo Sōke [宗家][16] está diretamente ligado aos antigos Ryū [流] ou "famílias", portanto utiliza-lo para designar alguém que não seja o líder de uma família de “Tradição Guerreira” é errado.

Em livros antigos japoneses sobre Artes Marciais era (e é) comum encontrar Kan [館] escrito como Kwan [館], o mesmo ocorre para Kai [会], frequentemente escrito como Kwai [会]. Porém, na língua japonesa atual estas palavras são escritas Kan [館] e Kai [会].

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. Dō, Ryū, Ha, Kai & Kan. Seidenkai Saishin Nyūsu, Informativo Interno Nº 67 - Julho/2008 - Ano: V.

GOULART, Joséverson. Dō, Ryū & Ha. Disponível em: <http://groups.msn.com/ShinseiKaiShito-RyuKarate-Do/>. Acesso em: 25 de Outubro de 2007.

GOULART, Joséverson. E sobre Kai & Kan? Disponível em: <http://groups.msn.com/ShinseiKaiShito-RyuKarate-Do/>. Acesso em: 25 de Outubro de 2007.

MARQUES, Amadeu. Standards. Dicionário Inglês/Português. São Paulo: Editora Ática, 1997.



[1] Dō [道] - "a Via, o Caminho".

[2] Jutsu [術] - "arte / técnica".

[3] Hō [法] - "Lei / Princípios / Doutrina".

[4] Ryū [流] - literalmente "corrente” “fluxo”.

[5] Karate-dō [空手道] - "A via, o Caminho das Mãos Vazias".

[6] Gōjū-ryū [剛柔流] é o estilo de Karate-dō [空手道] desenvolvido por Chōjun Miyagi [長順 宮城] (1888-1953).

[7] Shitō-ryū [糸東流] é o estilo de Karate-dō [空手道] desenvolvido por Kenwa Mabuni [賢和 摩文仁] (1889-1952).

[8] Wadō-ryū [和道流] é o estilo de Karate-dō [空手道] desenvolvido por Hironori Ōtsuka [博紀 大塚] (1892-1982).

[9] Shōrin-ryū [小林流] – (tradução: “Estilo Shaolin”) é o estilo de Karate [空手] desenvolvido por Sōkon Matsumura [宗棍 松村].

[10] Shōtōkan [松濤館] é o estilo de Karate-dō [空手道] desenvolvido por Gichin Funakoshi [義珍 船越] (1868-1957).

[11] Kan [館] - edifício, mansão, grande prédio, local onde ocorre um evento.

[12] Ha [派] - facção, grupo, partido, seita, escola.

[13] Kai [会] - encontro, partido, associação.

[14] Standards - padrões, modelos.

[15] Menjō [免状] - "certificado".

[16] Sōke [宗家] - "chefe de uma família ou clã", "fundador de algum estilo (antigo) de arte marcial".

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Karategi [空手衣]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 21:16

    

Mesmo os não praticantes de Karatedō [空手道] já ouviram falar em Kimono [着物] e, de fato, é bem comum vermos as pessoas (inclusive instrutores) referir-se ao uniforme das mais diversas Artes Marciais por tal termo.

Contudo, não se usa Kimono [着物] nem em Karatedō [空手道]... nem em nenhuma Arte Marcial... seja ela de origem japonesa ou não...

A palavra Kimono [着物] significa literalmente "coisa de/para vestir", sendo:

  • Ki [着] - "vestir, usar (roupa)";
  • Mono [物] - "coisa, objeto".

O Kimono [着物], portanto, é a roupa de uso diário no Japão, por isso tal roupa não existe em qualquer Arte Marcial.

 

Na realidade para Artes Marciais específicas existem roupas específicas, ou seja, praticantes de Karate [空手] usam Karategi [空手衣], praticantes de Jūdō [柔道] usam Jūdōgi [柔道衣], etc... Gi [衣] - neste caso significa “roupa”.

 

De uma forma mais geral e abrangente podemos chamar o uniforme de Keikogi [稽古衣] ou ainda de Dōgi [道衣 ou 動衣].

A expressão Keikogi [稽古衣] quer dizer "Roupa de treino", sendo:

  • Keiko [稽古] - "prática, treino";
  • Gi [衣] - “roupa”.

No caso de Dōgi [道衣 ou 動衣], dependendo do Kanji [漢字] utilizado, pode ser traduzido de duas maneiras diferentes:

  • Dōgi [道衣] - Roupa do Caminho, da Via;
  • Dōgi [動衣] - Roupa de movimento, Roupa de treino.

Uma última abordagem... o Karategi [空手衣] divide-se, de uma forma geral, em três partes:

  • Uwagi [上着] - Parte de cima do Karategi [空手衣], casaco;
  • Shitabaki [下履] - Parte de baixo do Karategi [空手衣], calças;
  • Obi [帯] – Cinto, faixa.

 

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Usa-se Kimono em alguma Arte Marcial? Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

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Karatedō [空手道]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 21:02

 

É incontável a quantidade de informações sobre a história do Karatedō [空手道] que pode ser encontrada na “Internet”... por isso irei, dentro das possibilidades, colocar aqui alguns dados que comumente não são abordados.

Etimologicamente, a palavra Karatedō [空手道] significa literalmente “Via ou Caminho das Mãos Vazias”, sendo:

  • Kara [空]: significa "vazio", no sentido de "vazio de intenções violentas";
  • Te [手]: é traduzido como "mão(s)", e equivale a técnica;
  • Dō [道]: que dizer "Via, Caminho", no sentido de modo de vida e princípios.

O Karatedō [空手道] moderno surgiu na ilha de Okinawa [沖縄][1], porém é erroneamente "referido" como japonês porque, atualmente, Okinawa [沖縄] faz parte do Japão (Nippon [日本] [2][3]). Porém, isso só é verdade porque Okinawa [沖縄] foi invadida pelos japoneses em 1609 e oficialmente "anexada" ao território japonês em 1879.

Contudo, o Karatedō [空手道] não pertence ao grupo de Artes Marciais Tradicionais Japonesas, independentemente dos inúmeros esforços que o mestre Gichin Funakoshi [義珍船越] tenha feito para alterar esta situação.

Sendo assim, embora muitas fontes de pesquisas afirmem isso... o Karatedō [空手道] não é uma Arte Marcial Japonesa! O Karatedō [空手道] é uma Arte Marcial que foi "importada" de Okinawa [沖縄] para o Japão.

Mesmo assim, alguém pode argumentar: “Mas como assim? Todo mundo sabe que o Karatedō [空手道] foi reconhecido pela Dai Nippon Butoku-kai [大日本武徳会] como Arte Marcial!”... De fato, essa afirmação é verdadeira, porém foi reconhecido como “Arte Marcial” e não como uma “Arte Marcial Japonesa”.

O Karatedō [空手道] que conhecemos hoje surge da combinação das artes marciais nativas da ilha de Okinawa [沖縄], conhecidas como Te [手] [4][5], com as artes marciais chinesas (Quán-fǎ [拳法][6]), que no arquipélago eram conhecidas como Kenpō [拳法][7], combinação que originou o Tōde [唐手][8][9][10].

O termo Te [手], se refere artes marciais praticadas em Okinawa [沖縄]. Contudo, no Japão é comum referir-se ao Te [手] como Okinawate [沖縄手][11][12].

A palavra Tōde [唐手][13] faz menção as Artes Marciais Chinesas. O ideograma inicial, Tō [唐], utilizado para designar a arte marcial Tōde [唐手] é mesmo utilizado para nomear a Dinastia Chinesa Táng [唐] e o termo De [手] é traduzido como "mão" ou ainda como "sistema de combate”. Sendo assim, a expressão Tōde [唐手] é traduzida como "Mão(s) Táng", "Mão(s) Chinesa(s)" ou "Sistema(s) de Combate Chinês(es)".

Em Okinawa [沖縄], as cidades de Shuri [首里][14], Naha [那覇][15][16] e Tomari [泊][17] receberam emissários militares e famílias chinesas gerando seus próprios estilos de Tōde [唐手]. Estes estilos são conhecidos hoje como Shurite [首里手][18][19], Nahate [那覇手][20] e Tomarite [泊手][21][22].

Depois de Jigorō Kanō [治五郎嘉納][23], criador do Jūdō [柔道][24], sugerir que as artes de Okinawa [沖縄] fossem mostradas no Japão (Nippon [日本]), os mestres de Okinawa [沖縄] resolveram fazê-lo.

Na época, apesar de Chōki Motobu [朝基 本部][25] ser considerado o melhor lutador entre os mestres de Okinawa [沖縄], devido a problemas lingüísticos entre os mestres (quase a totalidade dos mestres não falavam Japonês, pois Okinawa [沖縄] possui um idioma próprio chamado Uchināguchi [沖縄口][26]), Gichin Funakoshi [義珍 船越][27], sendo poeta e fluente em Japonês, foi para o Japão para apresentar o Tōde [唐手]. Uma escolha de fato inteligente e um movimento brilhante.

Com o objetivo de fazer com que as artes de Okinawa [沖縄] fossem aceitas pelo povo japonês, Gichin Funakoshi [義珍 船越] mudou o ideograma Tō [唐] ou Táng [唐] pelo ideograma Kara [空] literalmente "vazio", adicionando um toque místico ao termo, e preservou o Te [手], de Tōde [唐手], significando "mão(s)", surgindo assim o termo Karate [空手][28] que significa "Mãos Vazias". Cabe relembrar que a expressão Tōde [唐手] ou "Sistemas de Combates Chineses", obviamente não seria "bem aceito" pela sociedade Imperial Japonesa.

Entretanto, Gichin Funakoshi [義珍 船越] foi além, adicionou ao nome da arte o ideograma Dō [道][29] "Via, Caminho", utilizado para dar a arte uma conotação de “modo de vida” e “princípios”. Seu objetivo com esta manobra foi fazer com que o Karate [空手] ficasse no mesmo nível das demais Artes Marciais Japonesas (Budō [武道][30]), tal como o Kendō [剣道][31], Jūdō [柔道], Aikidō [合気道][32], e assim por diante.

Foi desta forma que a arte que ao longo dos anos foi conhecida como Te [手], Tōde [唐手], Okinawate [沖縄手] e Karate [空手] passou a ser conhecida como Karatedō [空手道], denominação esta utilizada em nossos dias (o que nem sempre acontece... já falei sobre isso em outro “post”).

Gichin Funakoshi [義珍 船越] também adaptou o Jūdōgi [柔道着][33] para Karategi [空手着][34] e adotou o sistema de faixas do Jūdō [柔道] à "nova arte marcial" chamada de Karatedō [空手道] (cabe lembrar que a utilização do Sistema Kyū [級] / Dan [段] e a aquisição de um uniforme padrão baseado no Jūdōgi [柔道着] eram duas das quatro condições que a Dai Nippon Butokukai exigia para reconhecer o Karate [空手] como "arte marcial verdadeira".)

Devido o "senso de oportunidade" de Gichin Funakoshi [義珍船越], o Karatedō [空手道] é agora bem conhecido.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Karatedō Nyūmon: Introdução ao Caminho das Mãos Vazias. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Dai Nippon Budō-Shi - Great Japan's Martial Arts History. Disponível em: <http://joseverson.blogspot.com/>. Acesso em: 23 de Fevereiro de 2009.



[1] Okinawa [沖縄] – Corda para o Mar, Uma das Ilhas Japonesas.

[2] Nihon [日本] – Japão.

[3] Nippon [日本] – Japão.

[4] Te [手] – Mão.

[5] Tī [手] - O Mesmo que Te, em Uchināguchi.

[6] Quán-fǎ [拳法] – Lei(s), Regra(s), Doutrina(s) dos Punhos.

[7] Kenpō [拳法] – Lei(s), Regra(s), Doutrina(s) dos Punhos.

[8] Em Uchināguchi [沖縄口], língua própria de Okinawa [沖縄], a palavra Tō-de [唐手] é grafada Tō-dī [唐手] e os estilos Shuri-te [首里手], Naha-te [那覇手] e Tomari-te [泊手] são designados como Sui-dī [首里手], Nāfa-dī [那覇手] e Tomari-dī [泊手], respectivamente.

[9] Tō-de [唐手] – Mãos Chinesas.

[10] Karate [唐手] – Pronuncia Japonesa do Termo Tō-de: Mãos Chinesas.

[11] O termo Okinawa-te [沖縄手] surge no Japão, em Okinawa [沖縄] os habitantes do arquipélago se referiam a esta arte simplesmente como Tī [手].

[12] Okinawa-te [沖縄手] – Mão, Técnica da Okinawa.

[13] O termo Tō-de [唐手], utilizado em Okinawa [沖縄], é lido como Kara-te [唐手] em japonês (Nihongo [日本語]), fato que gera muita confusão em publicações feitas no Ocidente.

[14] Shuri [首里] – Cidade de Okinawa.

[15] Naha-te [那覇手] – Mão, Técnica de Naha.

[16] Naha [那覇] – Cidade de Okinawa.

[17] Tomari [泊] – Cidade de Okinawa.

[18] Shuri-te [首里手] – Mão, Técnica de Shuri.

[19] Sui-dī [首里手] – O Mesmo que Shuri-te, em Uchināguchi.

[20] Nāfa-dī [那覇手] – O Mesmo que Naha-te, em Uchināguchi.

[21] Tomari-te [泊手] – Mão, Técnica de Tomari.

[22] Tomari-dī [泊手] – O Mesmo que Tomari-te, em Uchināguchi.

[23] Jigorō Kanō [治五郎 嘉納] – Fundador do Judô.

[24] Jūdō [柔道] – Caminho, Via Suave.

[25] Chōki Motobu [朝基 本部] – Mestre de Shōrei-ryū.

[26] Uchināguchi [沖縄口] – Boca de Okinawa, Língua de Okinawa.

[27] Gichin Funakoshi [義珍 船越] – Fundador do Shōtōkan.

[28] Karate [空手] – Mãos Vazias.

[29] Dō [道] – Via, Caminho.

[30] Budō [武道] – “Via ou Caminho Marcial”, “Via ou Caminho Militar”.

[31] Kendō [剣道] – Caminho, Via da Espada.

[32] Aikidō [合気道] – Caminho da Harmonia com o Universo.

[33] Jūdōgi [柔道着] – Uniforme de Jūdō.

[34] Karate-gi [空手着] – Uniforme de Karate.

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Hebon-shiki - Sono ni [ヘボン式 其二]  (Karatedō) escrito em terça 16 fevereiro 2010 18:35

   

Um assunto pouco abordado e pouco divulgado são os sistemas romanização. Façamos uma pequena análise do que se passa nos dias atuais... depois de algum tempo de prática algumas pessoas sentem-se a vontade para escrever livros, criar “sites” e “blogs” na internet, publicar artigos em revistas do ramo, etc... nada estranho e em certa medida até interessante. O problema começa quando estas mesmas pessoas querem utilizar palavras japonesas em seu trabalho e fazem isso de qualquer jeito.

É fato conhecido que a escrita japonesa usa Kanji [漢字] (ideogramas) e Kana [仮名] (caracteres), enquanto que a escrita ocidental utiliza o alfabeto. A fim de converter estes ideogramas e caracteres japoneses em letras do nosso alfabeto, as pessoas usam várias formas... algumas são válidas, outras não.

Em um artigo anterior abordei a existência de processos ou sistemas de romanização para a transcrição fonética dos termos japoneses que constam em trabalhos sobre Artes Marciais Japonesas. Falei também sobre a importância e a seriedade que este “simples detalhe” pode fazer na qualidade do trabalho apresentado...

Joséverson Goulart (2008), um dos poucos ocidentais que realiza um trabalho correto neste sentido, comenta:

"(...) Existem sistemas "oficiais" de transcrição fonética japonesa que devem ser utilizados pelos autores para escrever palavras japonesas usando as letras do nosso alfabeto, principalmente se o trabalho destina-se a ser lido por muitas outras pessoas, cujo conhecimento pode ser menor ou maior do que o conhecimento do autor da referida obra. Contudo, alguns autores - no impulso de ver difundido o seu “conhecimento” - não se dão ao trabalho de verificar se a informação que está a publicar está correta e difundem aquilo que "julgam" estar correto, o que poderá ou não ser válido a nível de transmissão do conhecimento. E é desta forma que os erros vão passando de geração em geração. Fato: "aquilo que não está certo, está errado"... é como o próprio Karate [空手]: ou se sabe ou não se sabe”. (...) Não... não há desculpa para a falta de pesquisa em se tratando de publicação de trabalhos! Se não se sabe, não se faz! (...) No mundo marcial são incontáveis as fontes... mas nem todas são de confiança e muitas apresentam informações muitíssimo questionáveis. Apenas procurando, perguntando e questionando é que podemos realmente "aprender" as Artes que praticamos. Copiar faz bem nos primeiros passos de qualquer arte, mas não podemos nos acomodar e manter esta postura se quisermos realmente saber a arte que praticamos ou ensinamos. (...) Pessoas sérias fazem trabalhos sérios, o resto... não passa disto mesmo: resto" (GOULART, 2008).

Sendo assim, objetivando dar subsídios para aqueles que se interessaram pelo assunto hoje apresentarei três tabelas onde constam três Sistemas de Romanização (já mencionados em outro “post”). Contudo, para não causar confusão, abordarei apenas a  escrita e a pronúncia corretas dos fonemas das palavras japonesas dentro do Sistema Hepburn de Romanização (Hebon-shiki Rōmaji [ヘボン式ローマ字]), pois é este que utilizo neste “Blog”. Os sons dentro do Sistema Hepburn de Romanização são extremamente simples em regra geral... vejamos:

  • A, I, U, E, O => pronuncia-se: á, i, u, ê, ô;
  • KA, KI, KU, KE, KO => pronuncia-se: cá, qui, cu, quê, cô;
  • SA, SHI, SU, SE, SO => pronuncia-se: sá, xi, su, sê, sô (“S” tem sempre som de “S”, não muda no meio de vogais como em português);
  • TA, CHI, TSU, TE, TO => pronuncia-se: ta, tchi, tsu, tê, tô;
  • NA, NI, NU, NE, NO => pronuncia-se: na, ni, nu, nê, nô;
  • HA, HI, FU, HE, HO => pronuncia-se: rrá, rri, fu, rrê, rrô, (“H” aspirado ou som de “RR”);
  • MA, MI, MU, ME, MO => pronuncia-se: má, mi, mu, mê, mô;
  • YA, YU, YO => pronuncia-se: ia, iu, iô;
  • RA, RI, RU, RE, RO => pronuncia-se: rá, ri, ru, rê, rô (“R” brando, como em KaRAte);
  • WA, W(O) => pronuncia-se: uá, ô;
  • N (UN) => som nasal (equivale ao nosso “N” ou “M”).

  • GA, GI, GU. GE, GO => pronunciam-se: gá, gui, gu, guê, gô (“GA” inicial é nasal);
  • ZA, JI, ZU, ZE, ZO => pronunciam-se: dzá, dji, dzu, dzê, dzô;
  • DA, JI, DU, DE, DO => pronunciam-se: dá, dji, dzu, dê, dô;
  • BA, BI, BU, BE, BO => pronunciam-se: bá, bi, bu, bê, bô;
  • PA, PI, PU, PE, PO => pronunciam-se: pá, pi, pu, pê, pô;
  • GYA, GYU, GYO => pronunciam-se: guiá, guiu, guiô;
  • JA, JU, JO => pronunciam-se: djá, dju, djô;
  • (JA), (JU), (JO) => pronunciam-se: (djá), (dju), (djô);
  • BYA, BYU, BYO => pronunciam-se: biá, biu, biô;
  • PYA, PYU, PYO => pronunciam-se: piá, piu, piô.

  • KYA, KYU, KYO => pronunciam-se: quiá, quiu, quiô;
  • SHA, SHU, SHO => pronunciam-se: xá, xu, xô;
  • CHA, CHU, CHO => pronunciam-se: tchá, tchu, tchô;
  • NYA, NYU, NYO => pronunciam-se: niá, niu, niô;
  • HYA, HYU, HYO => pronunciam-se: rriá, rriu, rriô (“H” aspirado ou som de “RR”);
  • MYA, MYU, MYO => pronunciam-se: miá, miu, miô;
  • RYA, RYU, RYO => pronunciam-se: riá, riu, riô (“R” brando, como em KaRAte).

Em uma rápida análise, pode-se afirmar que para expressar palavras japonesas em nosso alfabeto...

“Todos os autores (e autoras) têm apenas três escolhas possíveis:

1. Usar um Sistema de Romanização Oficial.

2. Advertir que ele(a) não irá utilizar intencionalmente nenhum sistema de Romanização.

3. Escrever de qualquer jeito as palavras japonesas sem uma pesquisa prévia ou advertência aos leitores sobre a falta de um processo de transcrição fonética” (GOULART, 2008).

Considerando cada uma das opções se pode concluir que:

“Primeira escolha: Este é considerado um bom trabalho porque o autor fez um esforço e apresentou informação correta aos leitores. Independente da qualidade geral do trabalho, o autor definitivamente fez uma pesquisa válida e colocou-a no seu trabalho.

Segunda escolha: Neste caso o autor escreve no início do seu trabalho a seguinte advertência aos leitores: "Intencionalmente, nenhum Sistema de Romanização da escrita japonesa foi utilizado”. Isto torna o trabalho aceitável, porque o autor informa que não irá utilizar nenhum Sistema de Romanização (por alguma razão). O autor pode não estar muito seguro sobre a utilização de um processo de Romanização ou também pode não ser culpa do autor a não inclusão das transcrições fonéticas: alguns editores simplesmente não aceitam a inserção de "macron" ou escrita japonesa nos títulos que irão publicar, fazendo com que o valor da obra do autor e o conhecimento nela contido seja diminuído. Nesta categoria nós encontramos, por exemplo, Jūdō e Judo. A transcrição fonética japonesa correta é "Jūdō", enquanto que a forma mais conhecida é "Judo". Usando a linha de advertência, o autor diz que mesmo sabendo a forma correta, a fim de alcançar a todos os níveis de conhecimento dos leitores, prefere utilizar a forma mais conhecida. O que faz com que o trabalho esteja correto. "A romanização está correta?" A resposta é "Não", mas "O trabalho está tecnicamente correto?" A resposta é "Sim".

Terceira escolha: Independente da qualidade do trabalho (boa ou má) este trabalho será sempre considerado "mau", porque induz o leitor a acreditar que as palavras japonesas estão corretamente escritas quando, de fato, elas não estão.

Parece, à primeira vista, que o autor não se deu ao trabalho de saber a forma correta de apresentar as suas idéias aos leitores e não levou muito a sério o seu próprio trabalho.

Contudo, não importa a escolha que o autor faça, ele deve ter em mente que o trabalho é lido ou será lido por todas as espécies de leitores e estes mesmos leitores irão julgar o trabalho apresentado com base naquilo que eles já sabem. E é importante que não se esqueça de que alguns leitores sabem muito, outros são iniciantes que estão a procura de fontes confiáveis de conhecimento. E, por estas razões, a importância que a sua obra aparenta ao "exterior" depende unicamente de si” (GOULART, 2008).

Sendo assim, pergunto: Em qual das três escolhas está os seus trabalhos?

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Não se deve julgar um livro pela capa. Disponível em: <http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/>. Acesso em 28 de Agosto de 2008.

GOULART, Joséverson. Processos de Romanização. Disponível em: <http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/>. Acesso em 28 de Agosto de 2008.

GOULART, Joséverson. Sobre publicações de Livros de Artes Marciais. Disponível em: <http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/>. Acesso em 14 de Julho de 2009.

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