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Suwari-gata [座り方]  (Karatedō) escrito em quarta 17 fevereiro 2010 15:01

 

Traduzindo literalmente os termos:

  • Suwari-gata [座り方] – formas para sentar;
  • Agura [胡座] – sentar-se com as pernas cruzadas;
  • Seiza [正坐] – sentar-se corretamente.

Nota: Algumas vezes - nas formas de sentar - Agura [胡座] é substituído por Anza [安座]... ambos implicam sentar no chão com as pernas cruzadas.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Seiza [正坐]. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson/>. Acesso em: 20 de Julho de 2009.

JAPANESE ENGLISH DICTIONARY. Dictionary search and Convert Kanji to Hiragana/Rōmaji. Disponível em: <http://nihongo.j-talk.com/parser/search/index.php>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

ROMAJI.ORG. Rōmaji Translator (Translate japanese text (Kanji,Hiragana,Katakana) into Rōmaji or Hiragana). Disponível em: <http://www.romaji.org/>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

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Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道]  (Kobudō) escrito em quarta 17 fevereiro 2010 14:26

  

Bom... hoje para “quebrar o gelo” mudarei meu foco de atenção saindo (momentaneamente) do tema Karatedō [空手道] para falar um pouco sobre outra Arte Marcial que é, do ponto de vista histórico, inseparável da “Via das Mãos Vazias” (quando faço esse “link” estou falando de Arte Marcial... não de esporte)... o Kobudō [古武道].

Assim como acontece com o Karatedō [空手道], quando se pesquisa sobre o Kobudō [古武道] também encontramos muita confusão... (e o que é pior... pouca informação), ou seja, na maioria das fontes disponíveis não há uma definição clara sobre o que (ou sobre qual Arte) se está falando.

Sendo mais claro, a grande maioria das fontes não define se está falando sobre Nippon no Kobudō [日本の古武道] ou Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道] (ou seja, sobre "Kobudō do Japão" ou sobre o "Kobudō de Okinawa")... É... é verdade... (embora muitas pessoas não saibam) existem duas Artes Marciais as quais chamamos Kobudō [古武道]... uma original de Okinawa [沖縄] e outra do Japão (Nippon [日本]). E, apesar de terem o mesmo nome (e por isso de tanta confusão), são artes diferentes que possuem origem, características e arsenal de armas próprios e diferenciados.

Dito isso, vamos lá entender as diferenças e o que é de fato o Kobudō [古武道], pois na verdade um grande número de pessoas ainda não sabe nada sobre este assunto. Por isso faz-se necessária uma introdução, que em meu ponto de vista, deve começar por clarificar o significado do termo Kobudō [古武道].

A palavra Kobudō [古武道] é escrita em japonês utilizando-se três ideogramas:

  • Ko [古] - Velho(a), antigo(a);
  • Bu [武] - Marcial;
  • Dō [道] - Via, Caminho.

Assim sendo, esta expressão pode ser traduzida por "Via Marcial Antiga" ou "Caminho Marcial Antigo".

E, em se tratando de Kobudō [古武道], existem duas "Vias" ou "Caminhos" distintos propriamente ditos:

  1. O Nippon no Kobudō [日本の古武道] ("Via Marcial Antiga do Japão") e
  2. O Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道] ("Via Marcial Antiga de Okinawa").

E é justamente aqui que começa o problema quando se quer falar sobre Kobudō [古武道], pois muitos falam de um e apresentam o outro... outros falam de um, sem mencionar o outro... Enfim, há uma confusão generalizada no que se refere a estas duas vertentes...

Como não pretendo "escrever um livro" sobre esta questão, pois há pessoas muito mais qualificadas do que eu para fazer isso, digo apenas, em caráter informativo, que estas duas vertentes não têm nada a ver uma com a outra e estas diferenças devem ser respeitadas na transmissão deste ensinamento nas escolas pertinentes.

Enquanto o Nippon no Kobudō [日本の古武道] prima pela escolha das armas utilizadas nas "Artes Marciais Tradicionais Japonesas" (ver meu artigo sobre este tema), o Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道] prima pela utilização de instrumentos agrícolas usados no dia a dia devido, acima de tudo, à proibição do porte de armas, primeiro na unificação do reino de Ryūkyū [琉球] (antigo nome de Okinawa [沖縄]) e, posteriormente, pelos ocupantes japoneses.

Assim, quando alguém diz que pratica Kobudō [古武道] sem especificar a origem (Okinawa [沖縄] ou Japão), não fornece informação suficiente para que se possa entender qual o tipo de armamento está sendo utilizado. E isto fica evidente no caso do Karate [空手], onde nada é mais natural do que falar a respeito do Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道], uma vez que o próprio Karate [空手] é de Okinawa [沖縄]... Contudo, o Bushidō [武士道] e a Katana [刀] fazem parte do Nippon no Kobudō [日本の古武道] ... mencioná-los ao tratar de Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道] é um grande erro!

Misturar os dois tipos de Kobudō [古武道] como sendo apenas "um" não corresponde à realidade histórica e cultural do treino marcial e induz ao erro (consciente ou inconscientemente) aqueles que ainda não sabem muito sobre as Artes Marciais.

Mencionar um dos tipos sem alertar o leitor que existe outro... é passar informações parciais (ou incompletas).

Apenas para exemplificar, aqui estão algumas das armas utilizadas pelo Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道] (não abordarei o Nippon no Kobudō [日本の古武道] porque não o pratico...):

  • Kon [棍] "Bastão";
  • Sai [釵] "Bifurcação" ou "Garfo";
  • Tonfa [旋棍] "Bastão rotativo";
  • Kama [鎌] "Foice";
  • Nunchaku [両節棍] "Bastão articulado".

Antes que alguém questione: “São apenas estas as armas do Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道]?” Não, existem outras armas que fazem parte do arsenal manejado dentro do Okinawa no Kobudō [沖縄の古武道]... porém as armas mencionadas acima são as mais “populares” dentro da prática desta Arte Marcial.

Sendo assim, ser "tradicional" ao praticar Kobudō [古武道] (seja ele japonês ou de Okinawa [沖縄]) implica conhecer a história das "Antigas Vias Marciais" que escolhemos, sabendo-se realmente a cultura da Arte que praticamos ou da Arte que ensinamos.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

ANDRETTA, Denis. Kobudō [古武道]. Disponível em: <http://www.karateca.net/>. Acesso em: 20 de Julho de 2009.

GOULART, Joséverson. Kobudō [古武道]: Considerações básicas iniciais. Disponível em: <http://groups.google.com/group/andretta-no-kenkyushitsu/>. Acesso em: 20 de Julho de 2009.

JAPANESE ENGLISH DICTIONARY. Dictionary search and Convert Kanji to Hiragana/Rōmaji. Disponível em: <http://nihongo.j-talk.com/parser/search/index.php>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

ROMAJI.ORG. Rōmaji Translator (Translate japanese text (Kanji,Hiragana,Katakana) into Rōmaji or Hiragana). Disponível em: <http://www.romaji.org/>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

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Karatedō Sono-ni [空手道 其二]  (Karatedō) escrito em quarta 17 fevereiro 2010 08:54

  

Já que estou abordando a questão dos termos e comandos japoneses, gostaria de tecer mais alguns comentários que me parecem relevantes (desculpem-me por favor... mas este assunto “dá muito pano pra manga”...)

O estudo relativo às Artes Marciais é muito interessante (para quem pratica é claro). Por isso, sempre que me deparo com algum artigo que pareça esclarecedor me detenho a analisá-lo, mesmo que não se trate diretamente de assunto relacionado ao Karatedō [空手道].

Como a produção literária a cerca das Artes Marciais são artigos raros por aqui (Brasil)... geralmente tenho a tendência a pesquisar artigos em outras línguas, sobretudo Inglês e Espanhol.

Faz alguns anos... encontrei na “internet” um artigo intitulado “Justificación de la utilización de términos y voces Japonesas en el Karatedō”, escrito por Martín Fernández Rincón, que abordava o assunto de uma forma bem interessante. Concentrei-me em traduzi-lo para o português e assim que o fiz, surgiu à idéia de criar um informativo com temas relacionados ao Karatedō [空手道] (inspirado no trabalho do meu bom amigo Javier Alejandro Fernando Machado, professor de Shitōryū [糸東流] na Argentina) para dar aos meus antigos alunos do Círculo Militar de Porto Alegre, dos quais este tópico foi o primeiro abordado.

Em síntese, o artigo alternava entre perguntas e respostas que tinham por objetivo justificar a utilização de termos japoneses no Karatedō [空手道] por parte dos ocidentais... e concluía que as expressões japonesas atuam como uma linguagem universal que torna possível que pessoas de diferentes nacionalidades possam treinar juntas sem que o idioma seja um impeditivo (o que pude comprovar quando estive na Argentina participando de seminários e em outros seminários internacionais dos quais tive o privilégio de participar).

Ao ler “meu” artigo, meu amigo Joséverson Goulart, estudioso das Artes Marciais Japonesas, me escreveu dizendo:

"De acordo com o artigo publicado, as razões para utilizarmos termos japoneses no Karatedō [空手道] são as seguintes:

  • Preservar tradição da Arte;
  • "Halo místico" incompatível com a Arte;
  • Padronização universal dos comandos e nomenclaturas da Arte.

Todas razões que são completamente válidas e inquestionáveis... mas o que o artigo não aborda é a questão: Sabemos realmente o que significam os termos japoneses que utilizamos no Karatedō [空手道]?"

Me dei conta então de que, até este momento, nunca havia parado para pensar sobre isto...

E continuou Goulart:

“Como sou muito pragmático em se tratando do ensino e aprendizagem de Artes Marciais Japonesas, vou comentar um fato verídico - pois eu estava presente quando ocorreu - que demonstra que a utilização de termos japoneses nas Artes Marciais Japonesas, mesmo que tenha boas intenções, na maioria dos casos não passa de demagogia.

Passemos ao fato verídico... Estava num estágio de Karatedō [空手道] quando um Gokyū [五級][1] (5º Kyū) perguntou ao seu Sensei [先生] (não vou indicar a graduação, por motivos óbvios) o que significava Zen-kutsu-dachi [前屈立]. Como eu estava muito próximo do aluno e do instrutor, fiquei para ouvir a explicação.

O Sensei [先生] respondeu: "Zen-kutsu-dachi [前屈立] faz-se assim..." E assim o aluno ficou "esclarecido", mas permaneceu com aquele "ar" de que não era bem esta a resposta que ele procurava.

De fato, é isso que ocorre na vida real, sem blá blá blá teórico. Os termos japoneses têm realmente as qualidades indicadas no informativo, mas só se soubermos o que eles significam de verdade, caso contrário tudo que diz respeito a eles caem na razão número dois do artigo publicado no periódico, ou seja, aquelas "tretas místicas", que são pateticamente visíveis quando um instrutor não sabe do que está falando.”

Aqui novamente, precisei de uma pausa para respirar, pois parecia que o Joséverson estava falando de mim (e de muitos outros professores que conheço).

Dando seqüência ao raciocínio de Goulart:

“Há muito tempo atrás o mestre Aragão, de Lisboa (Portugal), disse algo que faz todo o sentido: "Em Karatedō [空手道] não há enganos: ou é ou não é, se sabe ou não se sabe!".

E é por isso que todos os instrutores, os "Sensei [先生]", são obrigados a pesquisar e saber o que ensinam... copiar e imitar faz bem nos primeiros passos de qualquer arte, mas saber realmente é obrigação daqueles mais avançados, daqueles que estão ensinando!

Eu penso que não saber não é vergonha, vergonha é contentarmo-nos com o pouco que sabemos.

Ah! Zenkutsu-dachi [前屈立] significa "Posição inclinada para frente":

  • Zen [前] - Para frente, frontal;
  • Kutsu [屈] - Inclinada, pender para;
  • Tachi [立] - Posição, postura, base.

Nas Artes Marciais Japonesas tudo é facilmente explicável, desde que saibamos do que estamos falando.

Se vale mesmo a pena utilizar termos japoneses no Karatedō [空手道], então este problema seria resolvido facilmente com testes teóricos sobre toda nomenclatura japonesa necessária para cada graduação.

Mas aqui se apresenta o primeiro problema: o teste teórico faz com que os instrutores tenham de saber, e no caso de não saberem, serem "forçados" a pesquisar e estudar o Karatedō [空手道]... o que é, para uma grande maioria dos instrutores, uma verdadeira "perda de tempo" ("...pois o que nós queremos é combater").

Para esta vertente "belicista" que não quer estudar o Karatedō [空手道], vou apenas dar um exemplo de "problema" que um Hakkyū [八級][2] (8º grau) do estilo Shitōryū [糸東流], por exemplo, enfrenta em se tratando de nomenclatura japonesa ensinada aos mesmos no caso do Heian Nidan [平安二段][3].

Neste Kata (型) surgem as seguintes bases e técnicas: Neko-ashi-dachi [猫足立][4], Moto-dachi [基立][5], Uchi-otoshi [打落][6], Age-uke [揚受][7], Shutō-barai [手刀払い][8], etc...

Os seus Hakkyū [八級] realmente sabem o que estes termos significam?

Se o instrutor responder que "sim" a esta pergunta, então ele sabe o que está ensinando e criando futuros excelentes instrutores.

Se a resposta do instrutor for "não", então talvez seja necessária uma "reciclagem" do instrutor em questão a respeito dos termos japoneses.

O que nos leva à questão de avaliação do conhecimento de quem ensina e o que ensina...

O que poderia ser uma simples questão de termos japoneses transforma-se numa avaliação aprofundada do sistema de ensino das Artes Marciais... e observem que eu nem abordei a situação do Karatedō [空手道] como "Caminho de vida"" (GOULART, 2006).

Algumas reflexões...

Onde nos encontramos? Entre os que sabem ou entre os que não sabem?

E... se estamos entre os que não sabem... estamos acomodados ou procurando melhorar... aprender a cada dia?

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. Justificativa para a utilização de termos japoneses no Karatedō. Seidenkai Saishin Nyūsu: Informativo nº 01, Dezembro de 2004, Ano I.

GOULART, Joséverson. Vale mesmo a pena utilizar termos japoneses no Karatedō?. Disponível em: http://judoforum.com/blog/joseverson/index.php. Acesso em 20 de Novembro de 2006.

JAPANESE ENGLISH DICTIONARY. Dictionary search and Convert Kanji to Hiragana/Rōmaji. Disponível em: <http://nihongo.j-talk.com/parser/search/index.php>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

RINCÓN, Martín Fernández. Karatedō: reflexiones para la práctica[9]. Albacete, Fevereiro de 1999.

RINCÓN, Martín Fernández. Justificación de la utilización de términos y voces Japonesas en el Karatedō. Albacete, Fevereiro de 1999.

ROMAJI.ORG. Rōmaji Translator (Translate japanese text (Kanji,Hiragana,Katakana) into Rōmaji or Hiragana). Disponível em: <http://www.romaji.org/>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.



[1] Gokyū [五級] – 5ª Classe, 5º grau.

[2] Hakkyū [八級] – 8ª Classe, 8º grau.

[3] Heian Nidan [平安二段] – Paz, Tranqüilidade – 2º Nível.

[4] Neko-Ashi-dachi [猫足立] – Postura, Base das Patas do Gato.

[5] Moto-dachi [基立] – Postura Básica, Base Fundamental.

[6] Uchi-otoshi [打落] – Pancada descendente, Pancada para baixo.

[7] Age-uke [揚受] – Defesa Ascendente.

[8] Shutō-barai [手刀払い] – Varrer com a Mão em Espada.

[9] Artigo publicado pelas revistas internacionais Cinturón Negro e Budo International, traduzido em cinco idiomas. Revista nº 121, Ano XII, Fevereiro de 2000.

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Karatedō Sono-ichi [空手道 其一]  (Karatedō) escrito em quarta 17 fevereiro 2010 08:32

 

Todos sabem que os termos técnicos em japonês são necessários para o ensino do Karatedō [空手道]... isso é fato inquestionável. Contudo, há um aspecto importante (muitas vezes não respeitado) que os instrutores devem levar em consideração quando estão ensinando ou comandando uma classe/aula... que é a ordem correta como devem ser ditos os nomes e comandos em japonês.

Sem entrar em "assuntos místicos", a regra geral é assim: “lado + nível + técnica”.

Ou seja, primeiro deve-se dizer o lado para o qual deve ser executada a técnica (lado esquerdo, lado direito, diagonal, etc...); depois o nível em que deve ser executada a técnica (superior, médio ou inferior) e, por fim, qual é a técnica que deve ser feita (uma defesa, um soco, uma batida, um chute, etc...).

Analisando a figura temos o que em japonês chamamos de Hōkō [方向] (direções).

  • Em vermelho:
    • Jōdan [上段] – Nível superior;
    • Chūdan [中段] – Nível médio;
    • Gedan [下段] – Nível baixo.
  • Em verde:
    • Migi [右] – Direita, Lado direito;
    • Hidari [左] – Esquerda, Lado esquerdo.
  • Em roxo:
    • Naname [斜] – Diagonal(ais).

Seguindo a ordem “lado + nível + técnica”, vamos a alguns exemplos para que fique claro o que eu quero dizer:

  • Exemplo 1: Migi Chūdan Gyaku-zuki [右中段逆突]
    • Lado: Migi [右] ("À direita")
    • Nível: Chūdan [中段] ("Nível médio")
    • Técnica: Gyaku-zuki [逆突] ("Soco inverso")
  • Exemplo 2: Hidari Jōdan Age-uke [左上段揚受]
    • Lado: Hidari [左] ("À esquerda")
    • Nível: Jōdan [上段] ("Nível superior")
    • Técnica: Age-uke [揚受] ("Defesa ascendente")
  • Exemplo 3: Migi Chūdan Mawashi-geri [右中段回蹴]
    • Lado: Migi [右] ("À direita")
    • Nível: Chūdan [中段] ("Nível médio")
    • Técnica: Mawashi-geri [回蹴] ("Chute circular")

Em casos mais específicos, as características especiais (“detalhes”) vêm em primeiro lugar e em regra geral se acrescenta mais um aspecto, ficando da seguinte forma: “detalhe + lado + nível + técnica”.

Vejamos abaixo como fica então:

  • Naname Hidari Gedan-barai [斜左下段払い]
    • Detalhe: Naname [斜] ("Diagonal")
    • Lado: Hidari [左] ("À esquerda")
    • Nível: Gedan [下段] ("Abaixo")
    • Técnica: Harai [払い] ("Varrer")

Porém, existem, como em toda regra, exceções...

Como um exemplo de exceção se pode mencionar a expressão Kizami [刻], pois este termo refere-se ao membro que estiver mais próximo ao adversário (mais à frente) e, neste caso, são dispensados “detalhe” e “lado”, bastando indicar “nível” (se for o caso) e técnica.

Vamos aos exemplos:

  • Kizami (Jōdan) Mawashi-zuki [刻(上段)回突] ("Com o braço da frente - (Nível superior) - soco circular")
  • Kizami (Chūdan) Mae-geri [刻(中段)前蹴] ("Com a perna da frente - (Nível médio) - chute frontal")

Importante: No caso específico de Mae-geri [前蹴] a expressão é freqüentemente substituída simplesmente por "Kizami-geri" [刻蹴].

Aqui alguém pode questionar: “Ok, entendi... Mas e a base (Tachi-kata [立方]) onde entra neste história?”... Boa pergunta!

É comum ficar em dúvida, por exemplo, se devo dizer: Zenkutsu-dachi Hidari Gedan-barai [前屈立左下段払い] ou Hidari Gedan-barai Zenkutsu-dachi [左下段払い前屈立].

Bom... isso é indiferente. Em regra geral (eu disse "regra geral", não "regra absoluta") nos livros japoneses sobre Karatedō [空手道] primeiro vem "a técnica e depois a base". Assim, o "geral" é (citando o meu exemplo): Hidari Gedan-barai Zenkutsu-dachi [左下段払い前屈立]. Mas a ordem não é fixa e, portanto, fica a critério de cada instrutor, a forma como apresentá-la.

O importante aqui é frisar que em fontes fidedignas sobre Karatedō [空手道] estas (entre outras) convenções são obedecidas e é desta forma que devem proceder todos os instrutores, professores e mestres da “Via das Mãos Vazias” a fim de ensinarem de forma padrão os seus estilos.

Algumas notas de esclarecimentos:

Nota 1: Os significados dos termos apresentados no texto são traduções literais dos mesmos.

Nota 2: Não aparecem na figura as direções: frente, atrás e lados.

Nota 3: Existem variações na nomenclatura das diagonais: para frente, para trás, etc... que não apresento aqui. Falarei mais sobre este tema (direções) quando abordar o Tenshin Happō [転身八方] (movimentos em oito direções).

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

GOULART, Joséverson. Convenções utilizadas no Karate. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson>. Acesso em: 20 de Julho de 2009

GOULART, Joséverson. Hōkō [方向]. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson>. Acesso em: 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Tenshin Happō [転身八方]. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson>. Acesso em: 20 de Novembro de 2006.

JAPANESE ENGLISH DICTIONARY. Dictionary search and Convert Kanji to Hiragana/Rōmaji. Disponível em: <http://nihongo.j-talk.com/parser/search/index.php>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

ROMAJI.ORG. Rōmaji Translator (Translate japanese text (Kanji,Hiragana,Katakana) into Rōmaji or Hiragana). Disponível em: <http://www.romaji.org/>. Acesso em: 1 de Abril de 2009.

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Senpai, Kōhai [先輩、後輩]  (Karatedō) escrito em quarta 17 fevereiro 2010 08:16

  

No mundo das Artes Marciais Japonesas (Budō [武道]) praticadas do Ocidente, o emprego de termos japoneses sem o conhecimento efetivo do seu significado (e contextualização) sempre levou (e ainda leva) muitos instrutores e praticantes a erros que poderiam ser facilmente evitados. Este é o caso, por exemplo, do termo Senpai [先輩].

Goulart (2006), estudioso da cultura japonesa e do Budō [武道], afirma:

“Inúmeros são os instrutores que “amam” usar a palavra “Senpai [先輩]” referindo-se aos “faixas pretas” ou “estudantes seniores”. Isso é um grande erro! Ao falar sobre Senpai [先輩] é obrigatório falar na relação Senpai [先輩] / Kōhai [後輩]” (GOULART, 2006).

Hum... aqui começam nossos problemas: “Relação Senpai [先輩] / Kōhai [後輩]? O que é isto?”.

Vejamos como são as coisas por aqui... geralmente, Senpai [先輩] é dito ser, de forma errada o estudante sênior, pois alguns instrutores "convencionaram" que o termo Senpai [先輩] refere-se apenas aos alunos antigos dentro de um Dōjō [道場]. Contudo, aqueles que conhecem a cultura japonesa sabem que esta é uma concepção errada.

Antes de falar sobre a relação Senpai [先輩] / Kōhai [後輩] é necessário entender o significado dos três termos japoneses envolvidos nesta relação dentro do Karatedō [空手道] (e em outras Artes Marciais Japonesas): o Sensei [先生], o Senpai [先輩] e o Kōhai [後輩].

  1. Sensei [先生] - Para efeito de posicionamento no Dōjō [道場], vou traduzir Sensei [先生] por "professor ou instrutor" (embora eu saiba que esta não é tradução correta para a palavra... já falei sobre isso em um “post” específico).
  2. Senpai [先輩] – Literalmente quer dizer "Sênior, mais velho, mais antigo, etc..." (seja na escola, no trabalho, no grupo de atividades, etc).
  3. Kōhai [後輩] – Literalmente significa "Júnior, mais novo, mais recente, etc..." (seja na escola, no trabalho, no grupo de atividades, etc).

Nada de novo até aqui...Contudo, já se pode perceber um detalhe... o termo Senpai [先輩] não é exclusivo das Artes Marciais.

Então, vou contextualizar... quando utilizo a expressão Senpai [先輩] dentro do Karatedō [空手道] estou me referindo a um estudante “mais antigo” (designado pelo Sensei [先生]) que se torna responsável por um ou mais estudantes “mais novos” dentro do Dōjō [道場]. Para que? Para ensiná-los informações básicas sobre o Ryū [流] (“estilo”) que praticam, ou seja, a palavra Senpai [先輩] não é um título concedido a alguém simplesmente porque esta pessoa pratica alguma Arte Marcial por muitos anos... mas sim uma designação que denota: “Chegou sua hora de ter responsabilidades dentro do Dōjō [道場] e por isso, estes alunos a partir de agora estão sob os seus cuidados”... Enfim, como já havia mencionado quando citei Goulart: Senpai [先輩] / Kōhai [後輩] é uma relação!

Dentro do Japão Tradicional esta relação, dentro de um Dōjō [道場], é mais conhecida como a relação “irmão mais velho / irmão mais novo”, onde o “irmão mais velho é responsável pela educação do “irmão mais novo” e assim deveria ser feito de idêntica maneira dentro das escolas de Artes Marciais no ocidente.

Mas, naturalmente, este não é o caso dos Dōjō [道場] ocidentais... onde se acham Senpai [先輩] aos montes, mas nenhum Kōhai [後輩] respectivo é encontrado…

A esta altura, aqueles mais atentos devem estar se perguntando: “Como é então a estrutura da relação Sensei-Senpai-Kōhai [先生-先輩-後輩] quando é trabalhada corretamente?”

Goulart (2008), baseado em sua experiência de vida no Japão (foi criado por japoneses), responde:

“1. Dentro de um Dōjō [道場], o Sensei [先生] nomeia um ou mais aluno(s) antigo(s), com uma graduação considerável - chamados Senpai [先輩], para ser(em) responsável(eis) por células de dois ou três alunos principiantes (preferencialmente alunos iniciantes com a mesma graduação) - chamados Kōhai [後輩].

2. Este(s) Senpai [先輩] deverá(ão) acompanhar o desenvolvimento do(s) Kōhai [後輩] dentro do Dōjō [道場] - sendo responsáveis (e responsabilizados) pelos seus avanços ou fracassos do seu grupo, ou seja, o Senpai [先輩] responde diretamente ao Sensei [先生] a respeito dos progressos dos Kōhai [後輩] que estão sob sua responsabilidade.

Como tudo na vida, existem vantagens e desvantagens na utilização desta relação dentro dos Dōjō [道場]” (GOULART, 2008).

Algumas vantagens deste método de instrução:

“1. Liberta o Sensei [先生] da obrigação de atender uma classe numerosa, transferindo responsabilidade para alunos mais antigos (Senpai [先輩]).

2. Os alunos antigos (Senpai [先輩]) aprendem a ter responsabilidade e a entrar efetivamente no mundo da instrução - uma vez que se tornam responsáveis pelo sucesso ou fracasso dos Kōhai [後輩] sob sua supervisão. O que, por sua vez, minimiza a difundida teoria de que "todo o faixa preta é instrutor", fazendo com que os Senpai [先輩] tenham efetivamente de orientar alunos novos (sendo sempre supervisionados pelo Sensei [先生]).

3. Desenvolve uma cadeia de comando e hierarquia e contribui para a supervisão das capacidades, pontos fortes e fracos, em nível de ensino dos Senpai [先輩] por parte do Sensei [先生].

4. Dentro de cada célula, os Kōhai [後輩] são responsáveis pelo desenvolvimento do grupo, ajudando-se mutuamente, o que reforça o companheirismo e "idéia de grupo".

5. O Sensei [先生] não chama a atenção dos Kōhai [後輩] diretamente, chama o Senpai [先輩] respectivo e este se encarrega de verificar que as diretivas do Sensei [先生] sejam atendidas” (GOULART, 2008).

Algumas desvantagens deste método de instrução:

“1. É necessário que o Sensei [先生] tenha uma base considerável de conhecimento sobre a arte que pratica.

2. O Sensei [先生] deve ser capaz de providenciar respostas às solicitações e dúvidas dos Senpai [先輩] - o que pode ser um pouco difícil se o instrutor não tiver conhecimento efetivo.

3. Este método implica muita pesquisa e atenção por parte do Sensei [先生] e dos Senpai [先輩] às solicitações de cada célula em particular.

4. Os Senpai [先輩] devem reservar parte do seu tempo para supervisionar o treino dos Kōhai [後輩] o que pode fazer, em alguns casos, com que os Senpai [先輩] diminuam os seus próprios tempos de treino.

5. Há a possibilidade de que os vícios de treino (formas muito particulares de execução das técnicas) do Senpai [先輩] sejam passados para os Kōhai [後輩]” (GOULART, 2008).

Não obstante, assim como em qualquer parte do planeta há boas e más pessoas, também há bons e maus instrutores (Sensei [先生] e Senpai [先輩]). Por isso este método só é válido se:

“1 - O Sensei [先生] tem conhecimento real da arte que pratica e está disposto a responder às dúvidas dos Senpai [先輩] sem "inventar respostas". Trabalhar a sério implica pesquisa.

2 - O Sensei [先生] conhece as suas próprias limitações - dizer "não sei, mas vou pesquisar e na próxima aula eu respondo" não magoa ninguém, pois ninguém sabe tudo! Porém a pesquisa está ao alcance de todos.

3 - O Sensei [先生] não deixar as perguntas sem respostas. Ou sabe ou não sabe... Se não sabe, pesquisa.

Se estas condições forem satisfeitas, então poder-se-á apresentar os Senpai [先輩] como título de referência” (GOULART, 2008).

Vejamos então... para que se cumpra a relação Senpai [先輩] / Kōhai [後輩] e para que se possa apresentar alguém como Senpai [先輩] é necessário ter (por  parte dos Sensei [先生] e dos Senpai [先輩]) altruísmo, responsabilidade, conhecimento, autoconhecimento, humildade, incentivo aos estudos e pesquisa... Ok, isso fica fácil de entender quando se acompanha atentamente o texto. Meu questionamento é: “Em nosso dia a dia, em nossos Dōjō [道場], estamos aprendendo/ensinando estes valores?”.

{#} Denis Andretta [デニスアンドレッタ]

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Referências:

ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro. Sobre o termo ‘Senpai’. Seidenkai Saishin Nyūsu: Informativo nº 75, Abril de 2009, Ano VI.

GOULART, Joséverson. Senpai, Mudansha, Yūdansha, Seiza. Disponível em Joséverson no kenkyūshitsu: <http://judoforum.com/blog/joseverson>. Acesso em: 20 de Novembro de 2006.

GOULART, Joséverson. Relação Senpai/Kōhai. Disponível em Andretta No Kenkyūshitsu: <http://groups.msn.com/andrettakenkyushitsu/>. Acesso em: 04 de Setembro de 2008.

GOULART, Joséverson. O termo Senpai. Disponível em Andretta No Kenkyūshitsu: <http://groups.msn.com/andrettakenkyushitsu/>. Acesso em: 13 de Setembro de 2008.

JAPANESE ENGLISH DICTIONARY. Dictionary search and Convert Kanji to Hiragana/Rōmaji. Disponível em: <http://nihongo.j-talk.com/parser/search/index.php>. Acesso em:1 de Abril de 2009.

ROMAJI.ORG. Rōmaji Translator (Translate japanese text (Kanji,Hiragana,Katakana) into Rōmaji or Hiragana). Disponível em: <http://www.romaji.org/>. Acesso em:1 de Abril de 2009.

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